Prysmian se volta para a produção de cabos verdes

Trazendo sustentabilidade às aplicações elétricas, a fabricante de fios e cabos Prysmian vai transformar seu carro-chefe de vendas em um produto com conceito verde. A italiana anuncia hoje a produção de cabos destinados à construção civil, com componentes fabricados a partir de matéria-prima renovável, feita da cana-de-açúcar. "Com essa inovação, nossa ideia é que todos os cabos que produzimos ganhem sua versão verde", afirmou ao Valor o diretor de vendas da Prysmian, Humberto Duplat Paiva. O primeiro produto a ganhar insumos sustentáveis é o Afumex, marca dos cabos comumente utilizados em instalações prediais. O material isolante desses cabos é feito a partir de diversas matérias-primas provenientes do petróleo. Cerca de 20% delas - os polietilenos - serão substituídas por material renovável. O fornecedor dos biopolietilenos para a empresa é a Braskem, que desenvolve resinas a partir do etanol.


Vendas do Afumex somam R$ 80 milhões por ano
Com o acordo de fornecimento, a Prysmian pretende gradativamente parar de produzir a versão antiga do produto. "Vemos que nossos clientes começam a valorizar esse tipo de iniciativa. Vamos seguir uma tendência global", explicou o executivo. Hoje, as vendas do Afumex somam R$ 80 milhões por ano, o que representa 25% das vendas dos cabos para instalações prediais da subsidiária brasileira. Com a nova tecnologia, esse patamar deve ser dobrado para cerca de R$ 160 milhões em dois anos, segundo as projeções da companhia. "Vamos ganhar marketshare", destacou o executivo. A produção a partir da matéria-prima renovável é cerca de 3% mais cara, mas com o apelo da sustentabilidade, Paiva acredita que vai conquistar uma parte do espaço da concorrência, o que deve gerar escala suficiente para manter o preço do produto. A decisão pelo cabo verde foi tomada no ano passado, desde quando a empresa investiu cerca de R$ 5 milhões, principalmente em adaptações produtivas.

 

Negociação com construtoras de estádios
Segundo Paiva, no entanto, a maior parte das adaptações necessárias já vinham sendo realizadas pela subsidiária, ao longo dos últimos anos. Esse produto passou por diversas modificações ao longo de sua história, desde a adoção de tecnologias que permitem que os cabos não emitam gases tóxicos no momento da queima até novas características que o tornaram mais flexíveis. "Foram investimentos diluídos nos últimos dez anos, que permitem que agora os custos de adaptação não sejam altos", explicou o executivo. No Brasil, a demanda pelo produto renovável deve ser impulsionada pelos eventos que exigirão investimentos no país. Paiva afirma que já está em conversações com quatro construtoras responsáveis pelos projetos dos estádios, que buscam alternativas verdes de construção. Segundo ele, essa procura também deve chamar atenção das demais subsidiárias da Prysmian para o lançamento brasileiro.


Subsidiárias em 39 países
Com faturamento total de € 4,5 bilhões, no ano passado, hoje a Prysmian tem subsidiárias em 39 países, com 12 mil funcionários. Depois da aquisição da Draka, concluída no início deste ano, a empresa ganhou a liderança global no setor de fios e cabos elétricos, ultrapassando a Nexans.
A empresa atua nos negócios de energia e telecomunicações e no Brasil acumulou faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2010, alta de 18% frente a 2009. São sete fábricas em SP, Santa Catarina e Espírito Santo. "E temos planos para novas unidades, que já estamos negociando com a matriz. A ideia é aumentar a capacidade de linhas de cabos para infraestrutura", adiantou Paiva./Valor B6