A sensação de que poderia “ser diferente” levou um grupo de pesquisadores de um laboratório da Rhodia, em Paulínia (no interior de São Paulo) a alterar um processo industrial de fabricação de um plástico feito pela empresa há muitos anos do mesmo jeito. A aparente insatisfação resultou numa inovação, gerando duas patentes internacionais, uma ligada ao produto fabricado e outra ao processo industrial. A alteração feita no processo de fabricação do plástico aumentou em 15% a produtividade e reduziu em até 20% o consumo de energia. Da pesquisa, nasceu o produto TechnylStar A 205, um plástico novo que é usado como matéria-prima na fabricação de tomadas, abraçadeiras, clips, interruptores, válvulas, entre outros.
Inovação garantiu um investimento adicional de R$ 5,3 milhões
Ao comparar com os plásticos tradicionais, a principal diferença do novo produto é a elevada resistência mecânica de suas peças e a capacidade de preencher os moldes de maneira completa e homogênea. Essas características permitiram reduzir o uso de temperaturas mais baixas no processo industrial, gerando a economia de energia. Geralmente, as peças plásticas são produzidas a partir de injetoras que colocam a matéria-prima nos moldes das peças a serem fabricadas. Segundo informações da Rhodia, uma fábrica que usa 40 injetoras pode ter uma economia de energia suficiente para ligar 657.600 lâmpadas de 100 watts (W) se usar o novo produto. A inovação garantiu um investimento adicional de R$ 5,3 milhões na fábrica da Rhodia de São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo para aumentar a capacidade de produzir o novo plástico. Segundo o diretor da Rhodia Plásticos de Engenharia e Polímeros América Latina, Marcos Curti, esse investimento vai “assegurar o fornecimento ao mercado regional, mas também transformar a operação brasileira em plataforma de exportação da Rhodia para o mundo”.
Coordenação foi do projeto foi da fábrica de S Bernardo
No ano passado, a Rhodia vendeu uma tonelada do plástico novo e está com a capacidade instalada para produzir 6 mil toneladas anuais. “Isso consolidou a Rhodia Brasil com uma inovação”, disse, numa palestra, a coordenadora de P & D da Rhodia Plásticos de Engenharia da América Latina, Suzana Kupidlowski, numa conferência promovida pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei). E acrescentou: “antes, o nosso produto era um concorrente dos outros e não apresentava qualquer problema para precisar de alguma inovação. Hoje, temos um produto que é considerado preferência no mercado”. Da primeira ideia, a produção do material em larga escala - o que ocorreu em 2010 - se passaram três anos. A coordenação do projeto foi do centro de desenvolvimento de plásticos da fábrica de São Bernardo do Campo, contando com o apoio de equipes europeias e asiáticas da multinacional e dos centros de P&D da companhia em Paulínia, também no interior de São Paulo.
Inovação já foi premiada
Ainda na fase experimental, o produto foi testado por vários parceiros da empresa antes do seu lançamento oficial. Isso serviu para avaliar a qualidade do novo material. A inovação foi premiada, na categoria acionistas, da Rhodia no ano passado, se destacando entre as 11 unidades de negócios da multinacional. A experiência foi reconhecida pela conferência da Anpei - tradicional evento de inovação que reúne os principais executivos de empresas brasileiras - como um dos quatro mais importantes casos de sucesso de inovação no Brasil em 2010. A Rhodia é um grupo químico internacional que produz para as indústrias automotiva, eletroeletrônica, de aromas e fragrâncias, saúde, entre outras. No mundo, o grupo registrou um faturamento de 5,23 bilhões (cerca de R$ 12,7 bilhões) em 2010 e emprega 14 mil pessoas./JC-PE Online